Determinação: "Piloto minha vida mesmo sem ter os dois braços!"

Nascer assim nunca impediu Jessica Cox de conquistar o que ela queria: com os pés, dirige carros, toca piano, escreve, se maqueia, pratica esportes e é até pilota avião!

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JESSICA COX, | <i>Crédito: Arquivo Pessoal
JESSICA COX, | Crédito: Arquivo Pessoal
Se seu celular tocar agora, dentro da sua bolsa, o que você vai fazer para pegá-lo? Deixar a revista de lado e vasculhar todos os bolsinhos com as mãos, não é? Pois eu faço a mesma coisa, só que com os pés! Isso mesmo: antes de completar 2 anos, eu já usava as pernas tão bem quanto você usa os braços. Pode soar estranho pra você, mas pra mim é natural! Não sei como é ter braços, pois já nasci sem eles. Por isso, nem posso dizer com certeza que fazem falta. Só consigo pensar em alguns pequenos momentos em que eles me seriam úteis: para prender o cabelo num rabo de cavalo, fechar um zíper ou abotoar uma camisa. Essas pequenas lacunas não são nada perto das coisas que faço com os pés! Dirijo carros, surfo, mergulho, toco piano, escrevo livros, coloco lentes de contato... Piloto até avião! A verdade é que, se eu posso tudo isso, você pode muito mais!

Ter fé em mim foi essencial

Viver sem os braços é algo normal pra mim agora, mas precisei trabalhar muito minha autoaceitação até chegar neste ponto. Não foi fácil adquirir confiança. A chave do meu sucesso foi botar fé no meu potencial. Foi assim com o piano, por exemplo. Acreditei que conseguiria tocar e agora tiro músicas com os pés! Gosto de dizer que hoje não tenho uma vida normal: vivo uma jornada extraordinária! 

Devo isso à minha perseverança e, claro, ao encorajamento das pessoas ao redor que sempre me apoiaram: a minha família, os queridos amigos e o Patrick, meu marido. Tudo isso me fortaleceu tanto que, mesmo sem os braços, conquistei coisas que muitas pessoas com o corpo perfeito sequer sonham ter. Me sinto vitoriosa! 

Meus pais sempre me incentivaram a exercer todas as minhas capacidades. As frases deles marcaram minha vida. “Você pode fazer qualquer coisa”, minha mãe dizia, com confiança. Papai foi além: “Nunca te vi como uma vítima, minha filha. Você não é uma”. Para minha felicidade, os dois estavam certos.

Nasci e cresci nos Estados Unidos, onde frequentei escolas públicas normais – nada de atendimento especial! Minha infância teve um pouco de bullying, claro, como a de qualquer criança. Mas meus incentivos para seguir em frente eram maiores do que qualquer maldade que pudessem praticar contra mim. Consegui transformar os insultos em grandes impulsos para minha vida. Enquanto algumas pessoas são boas em apenas um esporte, consegui ser boa em vários: surfe, bike, tae kwon do... 

Incentivo gente normal a se superar 

Depois que terminei o colégio, aos 19 anos, fui para a faculdade, onde me formei num curso que mescla psicologia com comunicação. Assim, desenvolvi uma grande facilidade para dar palestras motivacionais mundo afora. Uso minha experiência para incentivar pessoas normais, como você, a ultrapassarem seus limites mentais! Se a falta dos braços me ensinou algo nestes anos de conquistas, foi a importância de aceitar nossas diferenças e jamais se submeter a limitações!

Conduzir uma aeronave com os pés é a maior das minhas conquistas!

Desde criança, eu morria de medo de perder contato com o chão. Aviões, então, não queria nem passar perto! Preferia encarar viagens de ônibus a entrar num bichão desses. E foi desse pavor que surgiu meu desafio mais ousado: voar! Comecei embarcando em grandes aeronaves e descobri que não era tão aterrorizante assim. Minha garganta só apertou mesmo quando entrei em um monomotor a caminho do México. Aí, sim, deu para sentir cada vento que fazia o pequeno avião tremer! Passei o voo inteirinho rezando, pedindo a Deus pela minha vida! Prometi que se eu saísse viva daquele voo aprenderia a pilotar um avião. Depois de chegar sã e salva no aeroporto, fui atrás de cumprir minha promessa. 

Comecei meu curso de pilota em 2005. Foram três anos de provas, estudos, testes e adaptação aos inúmeros comandos e botões! Os alunos costumam se formar em seis meses. Eu levei três anos. Mas e daí? Em outubro de 2008 recebi o certificado oficial de pilota, minha maior conquista! Hoje voo pelos arredores da escola em um modelo que não tem nenhuma adaptação especial. Ele tem um grande painel que já vem com todos os botões e alavancas necessárias para pilotar. Assim, fica tudo mais perto e ao alcance dos meus pés! Voar deixou de ser um grande medo e virou um gostoso passatempo! - JESSICA COX, 32 anos, escritora, Tucson, Arizona (EUA)




15/07/2015 - 10:00

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