"Meu querido irmão morreu e renasceu como meu neto"

Maria Alice teve uma visão anunciando que seu irmão estava voltando. Na hora, não entendeu nada, mas logo depois o neto nasceu com várias características dele

Reportagem: Stephanie Celentano

MARIA ALICE OLIVEIRA DA GRAÇA | <i>Crédito: Arquivo Pessoal
MARIA ALICE OLIVEIRA DA GRAÇA | Crédito: Arquivo Pessoal
Eu tinha sete irmãos homens e sempre vivi com um monte de marmanjo cuidando de mim. Mas minha ligação com o Walter sempre foi especial. Desde a infância, éramos muito grudados. A gente fazia tudo junto: brincava, via TV, passeava... O tempo passou, nós crescemos e, mesmo estando em cidades distantes, continuamos apegados assim ao longo da vida – e depois dela também, graças a um acontecimento divino que abençoou nossa família. 

Sonhei com uma luz intensa e vi meu irmão curado 

O Walter sempre teve o hábito de comer muito churrasco malpassado, especialmente carne de porco. Esse costume prejudicou muito sua saúde. Em1981, aos 42 anos, ele sentiu fortes dores na barriga e foi internado com cirrose hepática e sérios problemas intestinais. Ele não fumava nem bebia – o problema foi a ingestão daquelas carnes malcozidas. E o diagnóstico tardio complicou ainda mais a situação. Seu estado era considerado gravíssimo pelos médicos. 

Na época, eu morava com minha família em Manaus, no Amazonas, e meu irmão vivia no Rio de Janeiro. Assim que recebi a notícia, fiquei muito abatida e peguei o primeiro voo para o Rio, com minha filha Anna, que era muito apegada ao Walter. 

Quando chegamos à UTI do hospital, beijei meu irmão e rezei muito. Tive que voltar para Manaus na mesma noite e, ao adormecer, tive um sonho revelador. Vi um feixe intenso de luz se abrindo no teto sobre meu irmão. Ele estava se desligando de todos os tubos e aparelhos do hospital. Uma pessoa com roupa branca se materializou ao seu lado e Walter saiu caminhando, superbem. Acordei tão feliz! Achei que meu sonho se tornaria realidade e que ele se recuperaria rapidamente. Mas contei isso para meu marido e ele enxergou de outra forma: poderia ser um aviso de sua morte. E o Ivan estava certo. No dia seguinte, meu irmão faleceu. Sofri demais, mas com o tempo fui aceitando o rompimento do nosso vínculo. 

Vinte anos depois, tive outra visão que se tornou realidade 

Em setembro de 2001, no dia de Cosme e Damião, tive um sonho muito parecido com aquele de 20 anos antes. O raio intenso de luz apareceu e ouvi uma voz dizendo para eu me preparar, pois meu irmão estava voltando. Não entendi como isso poderia acontecer, mas fiquei com aquilo na cabeça. 

Nessa época, minha nora e meu filho estavam tentando engravidar havia anos e não conseguiam. Na semana seguinte ao sonho, a Patrícia começou a ter enjoos. Era o anúncio da chegada do meu neto: o João Pedro! 

Desde o nascimento do JP, em maio de 2002, sempre fomos muito grudados. Eu já tinha cinco netos, que amava demais, mas minha relação com o João Pedro era diferente. Ele sempre estava na minha casa e, às vezes, me ligava à noite para vir dormir comigo. Sempre pedia para eu contar histórias pra ele. E, assim como meu irmão Walter, era muito próximo da minha filha Anna. 

Um dia, eu estava vendo umas fotografias da família e, do nada, o João, que tinha 3 anos na época, pegou um retrato dos meus pais, que ele nunca conheceu. Na hora, meu neto olhou pra imagem e disse: “Nossa, vovó, que dor no peito de saudade!”. Como eu já acreditava em reencarnação e, depois dos sonhos, achava que o JP podia ser meu irmão, vi ali a comprovação de tudo. 

Meu neto sempre agiu de forma muito parecida com o Walter em vários aspectos. Os modos dos dois e o jeito gentil de ser são os mesmos. Até quando apronta malcriação, o que é raro, ele reage como o Walter quando era criança: senta e abraça os joelhos no chão. Ninguém nunca fez isso na família, e era algo muito característico do Waltinho. 

O João Pedro tem até a doença do meu falecido irmão! O João herdou até uma das doenças do Walter. Desde pequeno, meu neto sempre teve muitas dores de barriga. Recentemente, descobrimos que ele é portador da síndrome de Crown, uma doença crônica inflamatória intestinal. Esse distúrbio não tem cura, mas tem tratamento e meu neto pode ter uma vida estável se seguir as recomendações médicas. O JP, assim como o Waltinho, também tem intolerância à lactose. Ninguém na família teve problemas no intestino nem essa intolerância, só o Walter e o meu netinho. 

Não tenho mais dúvidas e fico até arrepiada de falar: para mim, meu neto é a reencarnação do meu amado irmão. E sinto meu coração preenchido novamente por ter reencontrado o Walter na presença do João Pedro! - MARIA ALICE OLIVEIRA DA GRAÇA, 75 anos, artesã, Nova Parnamirim, RN

“Meu sobrinho é um adulto em miniatura”
“Não sou espírita, mas reconheço que a afinidade que tenho com meu sobrinho e que tinha com meu tio são especiais. E algumas coisas me marcaram muito. Meu tio sempre dizia: ‘Espelho de índio é água parada’. Aí tio Walter se foi naquelas circunstâncias e senti uma tristeza muito grande, pois perdi um grande amigo. Os anos passaram, minha mãe teve aquele sonho revelador e vários indícios de que o JP poderia ser o Waltinho surgiram. Até que um dia eu e meu sobrinho estávamos juntos quando ele disse: ‘Você sabia que os índios se observam na água parada?’. Fico até arrepiada de contar. Em outra ocasião, o JP olhou para o céu e me disse: “Aquela lua parece a sua unha”. Senti um frio na barriga. Essa frase é do chileno Pablo Neruda e o Waltinho adorava esse escritor! Outro dia, perguntei por que a gente morre. Ele disse: “A morte é importante porque dá significado à vida”. O João Pedro é como se fosse um velho em miniatura.” - ANNA DE OLIVEIRA, 50 anos, a tia do João Pedro

Reencarnação em família é comum

Sob a visão espírita, o que aconteceu com o neto da Maria Alice é algo comum. “É natural que os espíritos reencarnem em sua própria família, já que é com ela que eles desenvolvem seus laços, criam vínculos e, muitas vezes, precisam resgatar pendências”, explica Geraldo Campetti, vice-presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB). Não existe um intervalo de tempo determinado para que essa volta ocorra – pode ser em cinco ou 50 anos – às vezes, em séculos. Em relação às lembranças do neto da Maria Alice, Geraldo afirma que, apesar de sofrermos um banho de esquecimento antes de reencarnarmos, vez ou outra alguns flashes da memória antiga podem aparecer, especialmente em crianças de até 7 anos. “É mais uma prova de que a reencarnação existe”, conclui.

Livro reúne histórias de espíritos que voltaram para suas famílias

O livro O Amor Me Trouxe de Volta, de Carol Bowman, reúne centenas de relatos de espíritos que voltam para se juntar às suas famílias e deixam evidências nítidas disso. Há casos de crianças que carregavam marcas físicas que combinavam com cicatrizes ou características do parente falecido.





03/02/2016 - 10:00

Conecte-se

Revista Sou mais Eu