"Me casei com meu irmão!"

Carmen e Diego são irmãos de criação, mas eles sentiam que o romance era proibido

Reportagem: Christiane Oliveira

Carmen e Diego | <i>Crédito: Arquivo Pessoal
Carmen e Diego | Crédito: Arquivo Pessoal
Já ouvi tanta história de que antigamente alguns relacionamentos não eram permitidos porque as famílias não se bicavam. Um bom exemplo é a história de Romeu e Julieta. Como assim uma família impedir um amor só porque são rivais?! Aquilo não entrava na minha cabeça. Até acontecer comigo... Me apaixonei por alguém que não podia e só então entendi por que esses casais de antigamente se escondiam. Só que, no meu caso, os familiares não eram adversários. Eu e meu amor somos da mesma família... 

Gamei no filho do meu padrasto e tentei fugir 

Meus pais se separaram quando eu tinha 3 anos. Como na época mamãe não tinha condições financeiras para me criar, fiquei na casa da minha avó, com meu pai. Seis anos depois, minha mãe se casou de novo e as coisas melhoraram. Ela até me chamou para morar com ela, o marido e o filho dele, o Diego. Mas eu já estava acostumada a morar com vovó e papai e decidi continuar ali. 

Quando completei 11 anos, minha mãe descobriu que estava com câncer. Então, me mudei para a casa do meu padrasto pra cuidar dela. Só que eu e o Diego, meu irmão “postiço”, brigávamos feito cão e gato porque éramos muito diferentes! Mas, como dizem, o amor e o ódio andam lado a lado... 

O tempo passou e, mesmo com as brigas e a diferença de idade (eu tinha 14 anos e ele 19), a gente compartilhava alguns segredos e conversávamos sobre a vida. Até que, após dois anos de convivência, numa troca de textos ele disse que gostava de mim. Surpresa, fiquei sem responder por um tempo. Mas logo Diego mandou: “É brincadeira! Só queria ver sua reação!”. O problema é que, depois disso, comecei a enxergá-lo com outros olhos. Não o via mais como meu irmão de criação chato, mas como um menino que poderia ser meu namorado. 

Namoramos escondidos dos nossos pais 

Quando percebi que estava apaixonada por ele, decidi fazer as malas e voltar para a casa do meu pai. Queria fugir daquele sentimento, achava proibido. Ao ver minhas malas arrumadas, Diego implorou de joelhos para que eu não fosse embora: “Como vou viver sem você?”. Falei pra ele me deixar em paz. No dia seguinte, ele foi me levar até a rodoviária. Quando chegamos, Diego me puxou pelo braço, olhou nos meus olhos e me tascou um beijo. E que beijo! Foi um momento mágico... Rasguei a passagem na hora e voltamos pra casa! 

Namoramos escondido durante uma semana, até decidirmos contar para nossos pais. Estávamos com medo da reação, mas eles ficaram muito felizes! Hoje vivemos juntos numa casinha de aluguel e vamos nos casar na igreja no ano que vem! - CARMEM CAROLINE HENRIQUE, 17 anos, estudante, Nova Independência, SP

“Me apaixonei ao ver sua foto” 

“Quando meu pai se casou com a Rose, mãe da Carol, fi quei muito feliz, pois ela me tratava como um fi lho. Ela me mostrou uma foto da Carol e me apaixonei na hora! Mas tinha medo de contar e ela rir da minha cara. Eu brigava muito com a Carol porque sentia ciúmes de suas paqueras. E tinha muito medo da reação dos nossos pais. Mesmo que a gente não tivesse o mesmo sangue, éramos vistos como irmãos postiços. Mas quando a Carol disse que ia embora, perdi o medo e me declarei. Hoje tenho orgulho de tê-la como minha noiva!” - DIEGO CARLOS SILVA, 23 anos, mecânico, o marido da Carol

03/03/2016 - 12:51

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