Inovei com um casamento gótico!

Eu e meu amor somos góticos desde adolescentes e resolvemos nos unir para sempre em uma cerimônia católica bem diferente da tradicional!

Reportagem: Taís Helena Amaral (com colaboração de Carolina Almeida)

Inovei com um casamento gótico! | <i>Crédito: Equipe Sou Mais Eu
Inovei com um casamento gótico! | Crédito: Equipe Sou Mais Eu

Quando conheci o Wesley, na pracinha da minha cidade, eu estava namorando outro cara. Mas ele chamou minha atenção! Assim como eu, Wesley também era adepto do estilo de vida gótico. Nossa tribo costuma se vestir com roupas escuras, ouvir músicas melancólicas e mais pesadas e se interessar pelo oculto – este, um hábito que não temos. A gente ficou mais de um mês só conversando e se conhecendo melhor, até que terminei meu relacionamento e fiquei livre para ele. Aí, não deu outra: começamos a namorar e nos envolver, pois tínhamos tudo a ver um com o outro!

Um casório gótico também era o sonho dele

Nosso relacionamento engatou logo de cara. A gente saía bastante juntos! Trabalhávamos de dia e nos encontrávamos à noite para lanchar, passear pela cidade ou ir a uma pracinha tranquila conversar, beber e ouvir música com nossos amigos. Aos poucos, fomos percebendo que tínhamos muitas afinidades!

Ainda nos primeiros meses de namoro, conversamos sobre como seria nosso casamento. O Wesley me disse que sempre tinha sonhado em se casar em uma cerimônia católica, mas com estilo gótico. Falou também que nenhuma das suas namoradas anteriores tinha topado isso. O que ele não sabia é que eu também tinha esse mesmo sonho! Olha só que coincidência!

Eu havia até falado para meu antigo namorado que gostaria de me casar de preto, se um dia fosse me casar. Mas ele desaprovou completamente a ideia e disse que jamais se casaria em uma cerimônia assim. Para minha sorte, eu e o Wesley queríamos exatamente a mesma coisa: casar na igreja, pois éramos ambos católicos, mas do nosso jeito, com decoração, música e roupas góticas. Parecia que finalmente tínhamos encontrado nossas almas gêmeas...

O padre adorou a ideia da nossa cerimônia diferente!

Quando estávamos completando seis meses de namoro, os pais do meu amor se mudaram do interior de Minas Gerais, onde a gente morava, para a Bahia. E convidaram o Wesley para ir com eles, pois lá haveria oportunidades melhores de emprego pra ele. Aí, tive que decidir: eu poderia ficar e continuar namorando a distância ou ir com meu namorado. Adivinha o que eu escolhi? Ir com ele, claro!

Foi um período de experiência. Queríamos ver se daríamos certo morando juntos antes de nos casarmos. Acabamos ficando apenas três meses na Bahia, mas, quando voltamos, continuei morando com o Wesley. Em janeiro deste ano, depois de um ano de ótima convivência dividindo o mesmo teto, finalmente nos sentimos seguros: era hora de realizar nosso sonho e nos unirmos para sempre no nosso casamento gótico!

Procuramos o padre João Carlos, com quem já tínhamos comentado sobre nossa ideia, e ele ficou muito empolgado! Disse que adorava a inovação e que achava cerimônias desse tipo bem mais bonitas do que as tradicionais. Tiramos todas as nossas dúvidas com ele sobre o que poderia ou não rolar dentro da igreja, pois não queríamos desrespeitar a religião. Aí, fomos atrás dos preparativos.

Procurei um estilista, que desenhou um vestido de época do jeitinho que eu queria, todo preto e rendado! Para completar, usei um chapéu do tipo fascinator. Providenciamos também a decoração em preto e vermelho para a igreja e escolhemos as músicas no estilo metal gótico que iam tocar na cerimônia. Era uma delícia ver meu sonho tomando forma!

Uma beata tentou impedir nosso casamento

Quando contamos para nossos parentes que íamos fazer um casamento diferente, a maioria deles aceitou numa boa. Sabiam que era o nosso estilo e não tinham razão para implicar. Só que sempre tem gente querendo cuidar da vida dos outros, né? Então, meia dúzia de beatas da cidade ficaram indignadas quando souberam do nosso casamento gótico. Não queriam deixar a cerimônia acontecer de jeito nenhum, acredita? Ficaram falando mal na cidade e julgando nosso estilo de vida.

Olha só que absurdo: antes de eu entrar na igreja, no dia do casamento, a mais exaltada das beatas foi até a sacristia ameaçar o padre e exigir que ele não realizasse a cerimônia. Cheguei a ser xingada de “capeta” e acusada de estar envolvida com magia negra na porta da igreja! Eu e o Wesley somos católicos e muito religiosos e só queríamos nos unir com a bênção de Deus, como qualquer casal.

Os padrinhos e madrinhas também estavam de preto

Por sorte, o padre sabia que não havia nada de errado na nossa cerimônia e, apesar de ter atrasado por causa do ataque da beata, entrou para realizar o casamento como se nada tivesse acontecido. Confesso que nunca tinha visto aquela igreja tão linda! Foi uma baita emoção ver nossos parentes e amigos reunidos na realização daquele sonho. Os padrinhos e madrinhas entraram no clima e estavam todos de preto! Depois da igreja, fizemos uma recepção íntima para a família e os amigos mais próximos. Só que, em vez da valsa, dançamos um minueto, que é uma dança medieval – essa época é muito associada à cultura gótica. Foi tudo do nosso jeitinho!

Hoje já temos um filho, ele se chama Dracko e tem um ano e quatro meses. Apesar de algumas pessoas terem sido contra, sabemos que a maioria absoluta ficou do nosso lado e adorou nosso casamento. Recebemos muitos elogios nas redes sociais, até mesmo de gente que não nos conhecia. E tenho muito orgulho de ter realizado esse sonho e poder viver feliz ao lado do meu amor.

Fernanda Martins, 23 anos, estudante, Rubim, MG

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03/04/2017 - 15:30

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