"Fiz meu namorado pobre virar um partidão. Oba!"

Janaína decidiu ajudar o Éverson a subir na vida. Chegou até a dar aulas para ele passar no vestibular!

Reportagem: Ligia Scalise

JANAÍNA LOURENÇO | <i>Crédito: Arquivo Pessoal
JANAÍNA LOURENÇO | Crédito: Arquivo Pessoal
Me encantei por ele de cara. O Éverson era um rapaz bonito e educado, mas de família bem simples. Meus primos me alertaram que ele não era um bom partido, pois sempre foi pobretão. Minha mãe não aprovou por causa das nossas diferenças. Afinal, cresci na classe média e sou filha de oficial da Marinha. Mas quer saber? Fui contra todo mundo e acreditei no futuro do Éverson. Eu sabia que o meu pé de chinelo tinha potencial para virar um partidão. Então, decidi ajudá-lo a chegar lá! 

Enfrentei minha família toda pelo meu amor 

Nos conhecemos em 2002, no Carnaval de Gravatá, no interior de Pernambuco. Tenho família lá e, por insistência dos meus pais, fui com eles para as festas de rua. Pra mim, tudo aquilo era um saco: gente bêbada, música brega... Até que vi o Éverson. “Que rapaz bonito. Quem é?”, perguntei aos meus primos. A resposta veio na lata: “Ele não é pra você, trabalha em um mercadinho”. Mesmo assim, quis conhecê- -lo. O moço era um gato! 

Nos entendemos já no primeiro papo. Ele me contou que tinha 19 anos e ainda estava no último ano da escola. Ou seja: superatrasado! Eu, aos 17, fazia cursinho pré-vestibular! As nossas realidades eram diferentes mesmo, mas gostei dele e pronto! Ficamos juntos e logo começamos a namorar. Ele no interior e eu em Recife. 

Decidi apresentá-lo aos meus pais no nosso primeiro final de semana de namoro. Foi um auê! “Você é maluca! Vai estragar a sua vida se casar com um pobre”, escutei da minha mãe. Meu pai e minhas duas irmãs também reprovaram a ideia. Aliás, até minhas amigas diziam que eu estava louca, apaixonada e cega. Entenderia a crítica deles se o Éverson fosse um pé de chinelo qualquer. Mas ele não era! Eu sabia disso porque via potencial nele: pensava grande, gostava de coisas boas e queria vencer na vida. Resolvi arriscar! 

Superei meu ciúme para poder incentivá-lo! 

Para tirá-lo da pobreza, o incentivei a investir nos estudos. E fiz pressão: “Se você quer ficar comigo, tem que fazer uma faculdade”. Ele topou e logo deu o primeiro passo: saiu do mercadinho e, com o dinheiro da demissão, pagou um cursinho pré-vestibular. Em seguida, começou a maratona de estudos: além do cursinho, ele fazia aulas particulares comigo por telefone, MSN e e-mail. Também levei o Éverson para conhecer o teatro e o cinema. Dava gosto vê-lo mergulhado nesse mundo... 

O resultado de tanto esforço veio rápido. Em 2004, ele passou no vestibular. Por sinal, passamos no mesmo ano! Eu ingressei na Federal de Pernambuco, em secretariado executivo, e o Éverson passou raspando na segunda lista da Federal da Paraíba, em economia. Foi sua primeira grande conquista e a prova de que ele não era uma pessoa acomodada com sua condição. Ah, a essa altura ele já era até o queridinho da minha mãe! 

Porém, quanto mais nosso amor crescia, mais aumentava a distância entre nós. Passamos os três anos da faculdade distantes e cheios de saudade. Mas a prova de fogo veio em 2007, com o novo desafio do Éverson: um ano de intercâmbio na Irlanda. Acredita? Não pude acompanhá-lo, por problemas de saúde, mas o incentivei a ir em frente, mesmo com um aperto no coração. 

Nesse um ano de distância, quase enlouqueci de ciúmes e de saudade. Dava dor de barriga só de pensar em todas as meninas que ele iria conhecer. E se meu namorado se apaixonasse por outra? Tive que enfrentar meus fantasmas para encorajá-lo. Enquanto o esperava, também cuidei de mim: fui à academia, fiz inglês e terminei a faculdade. Até comecei outra! Fiz tudo isso por saber que, para ser a companheira de um partidão, eu também preciso ser poderosa. E, cá entre nós, queria que ele enxergasse a mulher incrível que esperava por ele... 

Ele é super determinado e correu atrás mesmo

Recebê-lo no aeroporto foi como me apaixonar por ele pela primeira vez. Quando nos beijamos, tive a certeza de que queria o Éverson ao meu lado para sempre. O pedido de casamento veio uma semana depois, em uma viagem a dois. Nos casamos em agosto de 2008, com uma cerimônia no civil e festa para a família. 

Há quem diga que fui responsável pelo crescimento do Éverson, mas eu discordo: ele é super determinado e correu atrás. Eu só o motivei! E quer saber? Ainda bem que depositei minhas esperanças naquele rapazinho do interior, pois ele me faz a mulher mais feliz do mundo e me enche de orgulho! E olha só como o Éverson foi longe: virou analista de importação, tem inglês fluente e salário gordo. Graças à nossa parceria, vivemos em um apartamento próprio, com carro na garagem e muitos sonhos pela frente. Me dei bem, não dei? - JANAÍNA LOURENÇO, 25 anos, consultora de marketing, Recife, PE

“Ela me provou que tudo é possível!”

“Fazer faculdade, ter um bom emprego, falar outra língua e viajar pelo mundo eram sonhos impossíveis pra mim. Achava até que era coisa de novela. Mas a Janaína me provou que tudo é possível quando se tem determinação! Quando comecei a namorá- la, eu pensava que não daria certo, pois éramos de mundos diferentes. Imagina! Mas, pouco a pouco, ela me fez enxergar que eu também era capaz de ir além. E muito: depois da faculdade e do intercâmbio, consegui um bom emprego e até casa própria! Se não fosse por ela, sei lá o que seria de mim. Mas isso é passado. O que me importa é o que temos para conquistar daqui pra frente. E sei que vamos longe porque temos muitos sonhos! Ela é a mulher da minha vida, é a pessoa que me impulsiona para o alto, sempre”. - ÉVERSON LUIZ DO NASCIMENTO, 28 anos, analista de importação, o marido da Janaína

5 dicas para ajudar seu pé de chinelo a crescer na vida

1. Analise o potencial dele Ele gosta de coisas boas? Tem objetivos concretos? É determinado? Se você respondeu “sim”, saiba que seu parceiro pode ser um partidão. Ajude-o a crescer! 

2. Sem preconceito! Se vocês têm situações econômicas diferentes, não significa que não sejam compatíveis. São os objetivos de vocês que devem ser analisados e considerados. A partir daí, estabeleçam passos para chegar até eles. O que importa é um ajudar o outro. 

3. Procure ser uma “mulher balão” Isso significa que você deve ajudá-lo a subir na vida. Mesmo que para isso você enfrente sua insegurança e outros obstáculos. Por exemplo: fui uma “mulher balão” ao incentivar o intercâmbio do Éverson. Apesar de sofrer, sabia que seria bom pra ele. 

4. Seja companheira Se algo der errado, bola pra frente! Faça-o enxergar que sempre há oportunidades e que você está ao lado dele. 

5. Lembre-se de você Cuidado para não viver só os sonhos dele. O segredo é encontrar o equilíbrio para os dois crescerem juntos. Lembrese também do romance e do carinho do casal. A relação não é feita só de estratégias



21/01/2016 - 11:00

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