Conquistei meu marido com cartas anônimas

Com bilhetes de amor, fisguei o coração de um desconhecido por quem me apaixonei

Reportagem: Stephanie Celentano (com colaboração de Letícia Gerola)

Pedi, em uma das cartas, para que ele usasse uma blusa branca no dia seguinte, assim saberia se realmente estava recebendo e lendo minhas declarações | <i>Crédito: Arquivo pessoal/Redação Sou Mais Eu
Pedi, em uma das cartas, para que ele usasse uma blusa branca no dia seguinte, assim saberia se realmente estava recebendo e lendo minhas declarações | Crédito: Arquivo pessoal/Redação Sou Mais Eu

Eu tinha apenas 19 anos quando assisti ao filme Admiradora Secreta, de 1985, que conta uma história de amor que começa por causa de uma carta anônima. Naquele momento, nem passou pela minha cabeça que algo muito parecido se repetiria comigo logo depois e mudaria minha vida para sempre. Inspirada no filme, eu também enviei cartas secretas para um rapaz desconhecido por quem me apaixonei. Eu não sabia se meu flerte à moda antiga ia dar certo ou não, mas no final provei que os contos de fada do cinema às vezes se repetem na vida real!

Interessei-me pelo Luciano a distância

Minha história de amor começou no início de 1996. Na época, eu trabalhava em uma empresa de cosméticos e ia a pé todos os dias para o serviço. Um dia, durante meu trajeto, vi um rapaz muito bonito na garagem da casa dele. Na hora, pensei: “Como é que eu nunca vi esse cara forte e musculoso por aqui?”. Fiquei muito interessada. Nos dias seguintes, como quem não quer nada, repeti o caminho no mesmo horário. Fazia o trajeto só pra admirar o rapaz. Aí, duas semanas depois, acabei assistindo ao filme Admiradora Secreta e me ocorreu a ideia de que a vida imita a arte. Então, decidi fazer como a personagem do filme, que mandava cartas anônimas para o seu amado. Como tinha receio de que alguém reconhecesse minha letra, já que éramos do mesmo bairro, pedi para meu irmão escrever pra mim. Eu ditava frases românticas e ele escrevia: “Vejo em você todos os meus sonhos, em sua volta todo o meu mundo, em teu sorriso toda a minha vida”.

Usava disfarces pra deixar as cartas na garagem dele

Depois que meu irmão escrevia as cartas, a próxima etapa era entregá-las. Para manter o anonimato, eu sempre usava um disfarce. Vestia uma jaqueta preta, prendia o cabelo e colocava um boné vermelho por cima. Saía de casa por volta da meia-noite, pois nesse horário não havia ninguém na rua, e jogava a carta na garagem dele. Nossa, me dava um frio na barriga... De manhã, a caminho do trabalho, eu nem olhava para o lado, pra que ele não suspeitasse de mim. Tinha vergonha e achava que eu era pouca areia para o caminhãozinho dele. Isso se repetiu por semanas, até que decidi abrir espaço para que ele me respondesse. Pedi, em uma das cartas, para que ele usasse uma blusa branca no dia seguinte, assim saberia se realmente estava recebendo e lendo minhas declarações. Dito e feito: na manhã seguinte, ele estava vestido com a camiseta branca que pedi!

Nosso primeiro encontro foi surpreendente

O próximo passo foi tentar marcar um encontro com ele. Enviei um bilhete dizendo que poderíamos nos encontrar em uma balada, com data e horário marcados. Nesse meio-tempo, descobri que uma amiga minha o conhecia e, por intermédio dela, soube que ele teria aula na escola e não poderia ir à balada. Foi uma ducha de água fria... Mas como eu queria muito encontrá-lo pessoalmente, pedi para minha amiga marcar um novo encontro, avisando que eu o acompanharia no caminho à escola dele naquele mesmo dia. Uma hora antes, passei em um bar, comprei uma garrafa de cerveja e bebi inteirinha, para ganhar coragem. Nosso encontro foi na frente da casa dele. Quando apareceu, Luciano sorriu pra mim e foi muito simpático. “Então era você!”, ele disse. Respondi que sim, falei que o achava muito bonito e que esperava que ele não tivesse namorada. E ele não tinha mesmo, ainda bem! O Luciano confessou que me achou meio doidinha, mas que gostou da minha iniciativa. Fomos conversando enquanto caminhávamos em direção à escola. Ele tinha um bom papo e parecia ser muito sociável, pois cumprimentava todo mundo. Mas não rolou nada de mais.  

Assistimos juntos ao filme que nos uniu

Antes de terminar nosso primeiro encontro, já encaminhei o segundo. Ao me despedir do Luciano, aproveitei para convidá-lo para a festa de 2 anos do meu filho Bruno. E ele apareceu! Fiquei tão feliz... E, entre uma conversa e outra, ele me convidou para ir a um pagode logo depois. Quando ouvi esse convite, tratei de fazer a festa acabar mais cedo! Chegando no pagode, ele foi bem carinhoso, disse que gostou muito de mim e que me achou muito espontânea. Também contou que era muito reservado e que teve poucas namoradas. De repente, Luciano me pegou pela cintura e me beijou. Senti uma emoção tão grande que nem acreditava que aquilo estava acontecendo. Fiquei pensando que se não fossem as cartas eu não estaria ali... 

Dali em diante, não nos desgrudamos mais. A partir do primeiro beijo, ele já me chamava de namorada! Até assistimos ao filme Admiradora Secreta juntos! Três meses depois, já estava morando com ele. Hoje, aquele meu filhinho, o Bruno, tem 23 anos, e Luciano é um paizão pra ele. Construímos nossa família também: somos os pais do Brandon, de 15 anos, e das gêmeas Sabrina e Jennifer, de 12 anos. Assim como no filme, minha história de amor também teve um final feliz graças às cartas anônimas! 

Adriana Vieira da Silva, 40 anos, Encarregada de limpeza, São Paulo, SP


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31/03/2017 - 18:02

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