Conheci o meu amor no 'tinder' gospel

Me cadastrei no site sem nenhuma expectativa e encontrei o amor da minha vida!

Reportagem: Carolina Almeida

Me cadastrei no site sem nenhuma expectativa e encontrei o amor da minha vida! | <i>Crédito: Redação Sou Mais Eu
Me cadastrei no site sem nenhuma expectativa e encontrei o amor da minha vida! | Crédito: Redação Sou Mais Eu
“Preciso que você investigue um cara pra mim”, pediu minha prima. Ela já estava de papo com um rapaz do site “Amor em Cristo” - o Tinder das crentes – e queria saber se o cara era boa pinta ou só mais do mesmo, né? Criei um perfil para ajudá-la e, como não sou boba, dei uma sondada nos caras que estavam por lá. Era só um passatempo, mas acabei encontrando o amor da minha vida.

Me cadastrei no Amor em Cristo aos 17 anos

Eu era menor de idade quando criei minha conta. Depois de alguns dias de papo, recebi uma mensagem de um cara de noventa anos. O que ele tinha pra dizer? Que Deus havia lhe revelado que eu era a sua prometida. Vê se pode! Achei graça e nem assim desfiz o perfil. Algo me dizia que tinha coisa boa por ali...

Fucei o site por um tempo. Um dia estava em casa rindo muito com as minhas primas, quando minha mãe chegou. Curiosa, perguntou o motivo das gargalhadas. Contamos sobre o Amor em Cristo e ela decidiu participar. Enquanto eu passava as fotos dos pretendentes, minha mãe pediu que eu voltasse para o último que havia descartado. Ela examinou bem o rapaz e disparou: “filha, que moço lindo. Tem uma cara tão limpa! Manda mensagem pra ele, vai!”. Retruquei dizendo que não tinha gostado, mas dona Dora é insistente e me convenceu a escrever: “Olá, sou a Gabi, pega aqui meu MSN”. Foi assim que nosso romance começou, já abençoado por mamãe.

Marcamos um encontro e nos beijamos o dia inteiro!

Era março de 2008 e não demorou muito para que o Clever me chamasse para conversar no messenger. Fiquei um pouco assustada com a rapidez, mas levei adiante. Começamos a nos conhecer e eu não me interessei pelo cara fácil, viu? Ele era meio chatonildo, apesar de engraçado. Enrolei o boy por dois meses, só na conversa sobre Cristo e nossas crenças, até que cedi aos seus pedidos e marcamos de nos encontrar no Shopping Tatuapé, em São Paulo. Fiquei com um pouco de medo de encontrá-lo pessoalmente depois de tanta mensagem trocada, mas lá fui eu! Cheguei cedo e mandei uma mensagem para que ele me encontrasse em frente a uma loja de instrumentos. Esperta que sou, fiquei do outro lado da loja esperando a presa chegar. Eu já tinha visto fotos dele, mas a internet engana e eu sabia bem disso. Se o Clever fosse feio eu iria da no pé! Ah, que boba. Quem me viu primeiro foi ele e não tive como fugir: encarei o encontro!

Era claro que estávamos morrendo de vergonha, não sabíamos onde enfiar a cara e nem o que dizer. Então nos abraçamos. Depois de nos soltarmos, olhamos novamente um pro outro e nos abraçamos de novo – completamente constrangedor, não recomendo! Depois dessa vergonha total nossos olhares se encontraram pela terceira vez e então nos beijamos, ali mesmo, na frente de todo mundo, sem ter trocado meia dúzia de palavras! E como se não bastasse essa sequência de momentos tensos, não conseguíamos sequer olhar um pra cara do outro, apenas demos as mãos e seguimos andando no shopping. Decidimos ir ao cinema, só não me pergunte qual foi o filme escolhido, não saberei dizer. Nos beijamos a sessão inteirinha!

Começamos a namorar no mesmo dia

Depois daquele dia constrangedor e delicioso, falei para o Clever que ele teria que conversar com meus pais se quisesse namorar comigo. O menino é decidido e não viu o menor problema na minha exigência! Marcamos um encontro com meus pais na semana seguinte. Assim sendo, ele foi me levar até a catraca do metrô para se despedir. Foi ali que me surpreendeu! Disse que havia amado me conhecer e passar aquele tempo comigo. Ele me enlaçou num abraço apertado enquanto sussurrou que me amava em quatro línguas diferentes: português, inglês, italiano e alemão! Fiquei sem reação e apenas respondi: “Tá bom, até sábado!”. Que vergonha!  Decidimos que o dia 3 de maio de 2008 ficaria marcado como nosso aniversário de namoro. Voltei pra casa com borboletas no estômago e a cabeça nas nuvens! Estava completamente apaixonada por um cara que conheci em um site de namoro evangélico. Contei para os meus pais e eles ficaram felizes, mas como bons evangélicos queriam conhecer o moço antes de liberarem a filha pra namorar, né?

Namoramos à distância por cinco meses

O Clever foi meu primeiro e único namorado. Nossos pais e os pastores das nossas igrejas aprovaram a união desde o início. Estávamos abençoados por todos os lados! Com dois anos e meio de namoro, o Clever decidiu fazer um intercâmbio para a Austrália. Era seu maior sonho! Eu o apoiei o tempo todo, mas confesso que no fundo estava bastante insegura com a viagem e a distância. Só acreditei que ele estava de fato indo quando o vi entrando na sala de embarque internacional do aeroporto. Quase morri do coração. Achei que não fosse sobreviver à distância!

Durante meses, voltamos ao modo antigo de comunicação: só conversávamos pela internet; ele lá e eu aqui. No segundo mês eu já não estava mais aguentando de saudade longe dele. O Clever falava em juntar dinheiro para que eu fosse morar com ele, mas eu não estava pronta para um passo tão grande. No meio da dor que a falta dele causou em mim, pensei até em terminar. Seguimos firmes e fortes juntos! Ele me esperando lá e eu esperando por ele aqui!

Entrei em depressão

Enquanto o Clever esteve longe, me senti muito sozinha. Acabei me afastando um pouco dos meus amigos por estar namorando e, na sua ausência, ficava muito em casa, não queria sair do meu quarto. Acontece que eu me sentia feia e magra demais. Com tanta negação, não deu outra: caí numa depressão! O ruim de estar deprimida, além da dor causada pela doença, é que as pessoas não ajudam nada. Aliás, sempre que podem atrapalham no processo de recuperação de uma pessoa deprimida. Fazem brincadeiras sem graça e não são nem um pouco empáticas. Chamam tudo de mimimi e drama, vê se pode!

O Clever voltou da Austrália e se deparou com o péssimo momento que eu estava vivendo. Ele foi perfeito para mim até nisso! Me deu a maior força, me motivou a buscar ajuda profissional e a tomar os remédios certos para me curar daquele mal. Além de acompanhamento psicológico, me aconselhei com pastores e consegui vencer a depressão ao lado dele e da minha família. Uma benção!

Estamos juntos há 9 anos

Depois de seis anos de namoro, marcamos um piquenique em Atibaia, São Paulo. Um lugar lindo! Ele sabia que meu sonho era casar, então o realizou comigo. Me pediu em casamento no dia 03 de maio de 2015, depois de 7 anos de namoro. Foi sensacional, o Clever é mais do que meu amor, é um grande parceiro de vida! Para ele não existe o “eu”, é sempre o “nós”. Ele se preocupa comigo e cuida de mim como ninguém. Me sinto protegida ao lado dele. Se me perguntassem, lá atrás, o que eu achava de sites de paquera a resposta seria bastante rude. Hoje, depois de ter encontrado o homem da minha vida em um desses sites, posso dizer: existe um amor pra você e ele pode estar a um clique de distância!

Gabriela Menezes Neiva, 26 anos, Analista Comercial, São Paulo, SP

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03/05/2017 - 00:01

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