Conheci o meu amor no grupo da redução de estômago

Ele pesava 240 kg e eu 148 kg. Hoje, bem mais magros, vivemos um romance saudável!

Reportagem: Gregory Prudenciano

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"Fomos conhecendo o outro e eu descobri que o Darwin era mais que um homem grande, ele seria também o meu grande amor!" | Crédito: Redação Sou Mais Eu
Tem uma coisa que a família pergunta, os amigos ficam doidos para saber e aposto que até você tem essa curiosidade quando descobre um casal novo. “Como vocês se conheceram?”, perguntam a rodo. No bar, em uma viagem, no restaurante preferido... são as respostas mais comuns. Depois vem a leva dos aplicativos: Tinder, Facebook e sites de paquera, né? A nossa história é diferente. Conheci meu amor no grupo de WhatsApp formado por pessoas que passariam pela redução de estômago. “E onde foi o primeiro encontro dos pombinhos?”, você deve estar se perguntando. A resposta é uma delícia: nos cruzamos no hospital! Nossa história é de dar frio na barriga, vem comigo!
Eu me sentia uma baleia...
Um. Quatro. Oito. Foram os números, nessa exata sequência, que apareceram na balança quando fiz minha primeira consulta médica. Estava enorme e decidida a fazer a cirurgia de redução de estômago. Sim, 148 quilos. É peso demais para qualquer pessoa normal, ainda mais para uma mulher de 1,66 m de altura. Mas a balança de outra pessoa, o Darwin, ia muito além: já batia os 240 quilos quando ele começou o tratamento. Nossas cirurgias de redução aconteceram na mesma época. Ficamos muito próximos quando nos conhecemos pelo grupo. Trocávamos mensagens diariamente. Nos apoiamos muito durante a recuperação. Assim, fomos conhecendo o outro e eu descobri que o Darwin era mais que um homem grande, ele seria também o meu grande amor!
Aos 11 anos eu já fazia dieta
Não me lembro de não ter sido gorda um dia. Desde criança eu estive acima do peso. Minha primeira consulta com um nutricionista foi aos 11 anos. Também foi com essa idade que fiz minha primeira dieta. Não tenho ideia de quantas foram, nem de quantos quilos eu perdi até ganhar tudo de novo em pouco tempo. Quando eu completei 16 anos pesava 110 kg e sofria com isso, o que me motivou a “pegar firme” numa dieta severa que me secou: cheguei a 91 kg. Logo depois, quando entrei na faculdade, engordei tudo de novo. Frustrada, desisti; parei de fazer dieta e não procurei mais médico. Aos 22 anos me casei pela primeira vez e subi ao altar pesando 144 kg. Poxa, é claro que eu sabia que estava acima do peso, mas, sendo bem honesta, eu não tinha a real noção do meu tamanho. 
Minha vida tinha as dificuldades típicas de uma pessoa muito acima do peso. Comprar roupa era um sacrifício enorme - bastava entrar na loja e olhar para a arara que a vendedora logo soltava um “não temos para o seu tamanho”. Certa vez fiz uma entrevista de emprego num lugar que ficava a uma quadra da minha casa e por isso informei que não ia precisar de vale-transporte, mas o responsável por me contratar perguntou se eu não teria dificuldades para ficar lá porque havia escadas no local. Aquilo afetou meu orgulho, fiquei realmente chateada. 
Passar por um divórcio me fez querer emagrecer
Durante o meu primeiro casamento eu me mudei de Campo Grande para Curitiba. Naquela época meu médico já tinha sugerido a cirurgia de redução de estômago, mas com a mudança acabei deixando pra lá. O casamento foi se desgastando e eu resolvi voltar para Campo Grande. Logo acabei me separando. Aproveitei aquele divórcio para retomar minha caminhada na direção de uma vida mais saudável e assim me reinventar. Assim, tomei coragem e resolvi encarar a bariátrica. Naquela época eu tinha atingido o maior peso da minha vida: cheguei aos 148 kg. Se engana quem pensa que é só optar pela cirurgia e pronto, ir pra sala e sair magra! O processo leva muito tempo, são muitos exames a serem feitos, a fila na rede pública de saúde é grande e eu tive que reeducar minha alimentação e perder peso antes do grande dia. Só depois de tudo isso pude marcar minha cirurgia. 
Entrei no grupo de Whats depois da cirurgia
Eu estava sentada com a minha tia na sala de espera quando fui marcar uma data para a operação. Eu mal podia esperar para saber o dia da minha bariátrica. Uma senhora muito simpática foi puxar assunto com a gente ali mesmo. Era a avó de um rapaz que também estava ali para agendar uma data. O nome dele era Darwin. A gente não se viu naquele dia, mas ambos marcaram as suas cirurgias. 
O alívio depois da mesa cirúrgica foi maior quando a menina com quem eu dividi o quarto me falou de um grupo no WhatsApp dedicado a pessoas que estavam para fazer ou já tinham feito a redução. O nome do grupo é “Galera do grampo” - justamente porque o estômago é grampeado quando a cirurgia é feita. Ela logo tratou de me adicionar. Lá a gente fala sobre a operação, as dificuldades dos regimes e o processo de recuperação. É um grupo bem animado e motivador, mas a minha timidez me fazia só ficar de olho nas conversas, nunca escrevia nada. Toda noite o grupo bombava, isso por causa da insônia que afeta as pessoas que fazem a bariátrica. Um dos mais falantes do grupo era justamente um moço chamado Darwin. Não podia ser outra pessoa, né?
Começamos a conversar de madrugada...
Numa dessas madrugadas a tela do meu celular brilhou. Era o Darwin mandando uma mensagem no grupo: “alguém aí para conversar?”. Eu, num misto de ousadia e curiosidade, resolvi chamá-lo numa conversa privada. “Oi, eu sou do grupo”, escrevi para ele. Conversamos animados e o papo foi tomando contornos de uma amizade gostosa. Descobri que a gente morava bem pertinho, umas duas quadras de distância. Papo vai, papo vem, e eu soube que o meu vizinho também “grampeado” tinha uma história e tanto: havia sido casado por sete anos, estava divorciado, era dois anos mais novo que eu, estava sofrendo com a cicatrização dos cortes gerados pela cirurgia e já tinha chegado a pesar 240 kg! 
Dois meses de conversa no WhatsApp e nada de ele me ver pessoalmente. Eu entendia as dificuldades dele em se locomover por causa da cicatrização, mas mesmo assim eu me senti enrolada pelo cara. Um dia fiquei de saco cheio e mandei a real: ou ele se mexia e aparecia em casa naquele mesmo instante ou ele nunca mais ia falar comigo. Quinze minutos depois ele estava na minha porta. Que evolução, hein, Darwin! 
Pelo celular, éramos íntimos. Ao vivo, éramos completos estranhos...
Foi um primeiro encontro curioso. A gente se conhecia, mas éramos de fato estranhos. Ainda demorou um mês para acontecer o primeiro beijo. Fomos juntos a uma palestra do grupo do grampo e resolvemos sair depois. No cardápio da noite tínhamos uma água e um suco. Fomos andando em volta de um lago de nome sugestivo, o Lago do Amor. Voltamos para o carro dele conversando bastante. A conversa acontecia animada, mas tensa, era claro que tinha alguma coisa no ar. Num determinado momento, já dentro do carro, o silêncio se impôs. Ele queria, eu queria. Ele não tinha coragem, eu tive que ter: tasquei um selinho no homem! Aí ele finalmente se mexeu, tomou coragem e me deu um beijo bom, daqueles bem looooongos. Na semana seguinte ele me pediu em namoro... MAS POR WHATSAPP! Ninguém merece! Falei que ele teria que pedir pessoalmente. Foi quando ele me chamou para ir ao cinema. Depois do filme, antes de entrar no carro, ele fez o pedido. Aí, sim, eu aceitei. 
Foram necessários mais seis meses até o pedido de casamento acontecer. Mas dessa vez ele acertou, fez pessoalmente logo na primeira tentativa! Aí eu não resisti. Pouco tempo depois decidimos morar juntos e viver nossa felicidade. Somos um casal de dar inveja porque somos muito amigos. A gente se ajuda, faz esteira juntos, caminhadas, bicicleta. Cuidamos também da nossa dieta e comemos bem pouquinho - quando “juntamos as trouxas” compramos um quilo de arroz integral que chegou a estragar de tanto tempo que durou para gente. 
Nosso casório sai esse ano: é bom que vamos economizar na comida!
Hoje eu peso 82 kg e o Darwin 97 kg. É muito peso a menos, nossas vidas mudaram completamente. Sexualmente é incrível, descobrimos novas posições que antes eram impossíveis! Nosso casamento está marcado para novembro deste ano e vamos convidar toda a “Galera do grampo” - assim a gente economiza bastante comida, né? Nosso médico, Dr. Francisco, e nossa nutricionista, Drª Laurinete, também são presença confirmada no casório. Vou entrar num vestidinho bem apertadinho, uma vez que meus dias de vestir 54 foram embora. Hoje eu caibo folgada numa calça 42. Ele deixou o 74 para lá e veste 46. Tudo isso em outras lojas, não naquelas onde eu fui tratada mal pelas vendedoras. Dei a volta por cima e hoje sou feliz como nunca fui antes. Chega de sobreviver, agora eu quero mais é curtir a vida ao lado do meu amor! 

Malu Souza, 29 anos, microempresária de Campo Grande, MS

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05/04/2017 - 10:00

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