Chico Xavier me fez lidar com a perda de um filho

Meu Rangel morreu três dias depois de um tombo de bicicleta...

Reportagem: Leo Branco (com colaboração de Luiza Schiff)

Alguma coisa morreu dentro de mim... | <i>Crédito: Redação Sou mais Eu
Alguma coisa morreu dentro de mim... | Crédito: Redação Sou mais Eu
Sempre acreditei em vida após a morte. Meu pai era espírita e amigo do Chico Xavier. Nunca achei, no entanto, que o médium me ajudaria num dos momentos mais difíceis da minha vida: a morte do meu filho Rangel, de apenas 3 anos. Dói até hoje. Mas as duas cartas que Chico trouxe do meu menino me ajudaram a reencontrar sentido para a vida. Usei minha dor para tentar ajudar outras pessoas e também compartilhei minha história com outras mães que sofreram perdas como a minha. Agora divido minha experiência no filme As Mães de Chico Xavier, que traz a minha história. Meu drama inspirou a personagem Elisa (Vanessa Gerbelli). Rangel era o caçula dos meus três filhos. Na manhã de 12 de agosto de 1983, ele foi passear de bicicleta com a babá. Na metade do passeio, meu filho levou um tombo e bateu a cabeça no chão. Eu e meu marido Aguinaldo levamos o menino ao médico, que deu dois pontos no corte. O doutor disse que era algo simples. Três dias depois, meu filho dormiu na nossa cama. Amanhecia quando meu marido sentiu a mão do Rangel apertar a dele com mais força. Estranho. Assustados, fomos a um hospital e descobrimos que ele teve uma convulsão. Três horas depois, meu filho morreu. Sofreu uma parada cardíaca. Os médicos disseram que foi consequência da queda na bicicleta. Morri também. Eu tinha uma vida social agitada, com festas e viagens. Nada era capaz de me fazer feliz como antes. Aí, procurei o Chico Xavier. Segundo ele, uma mãe enlutada não pode se apequenar com sua dor. O médium dizia que eu não tinha o direito de perturbar meu filho com meu sofrimento. Isso prejudicaria a vivência dele no além. Seria mais útil usar a dor para ajudar pessoas vivas. Voltei sem recados do meu Rangel, mas com o coração aliviado e com vontade de criar meus outros filhos. Revi Chico Xavier em Uberaba outras vezes, na esperança de receber um contato do meu menino. Em junho de 1984, recebi a primeira carta psicografada. Rangel estava ao lado do avô Lico, já falecido, e feliz com sua vida espiritual. Disse que gostou das preces que fiz durante o luto. Essa carta me deu mais força. Precisei dela de novo ao encarar outra perda irreparável: a morte da minha filha Mariana, há cinco anos, vítima da dengue. Ao longo desses anos, aprendi que o bem-estar dos meus filhos no além depende da minha postura de aceitação e esperança. E isso me faz seguir em frente. Obrigada, Chico.

Célia Diniz, 65 anos, professora aposentada, Pedro Leopoldo, MG 

Da redação 

Cartas dão conforto aos que ficam 

"No espiritismo, a morte é um processo de transformação, e não de ruptura", explica o orador espírita André Ariovaldo, de Sorocaba (SP). Ou seja, quando uma pessoa morre, sua existência continua no mundo espiritual. No além, é possível ocorrer um reencontro de mães com seus filhos, por exemplo. Antes disso, porém, existe a possibilidade de comunicação por meio de cartas psicografadas por médiuns, tema do filme As Mães de Chico Xavier. "Elas trazem conforto para quem fica porque passam a sensação de que seus parentes falecidos estão em uma condição melhor", diz o médico geriatra Franklin Santana Santos, especialista em luto, da Universidade de São Paulo (USP). Mas de acordo com os adeptos da doutrina, nem sempre o espírito está pronto para esse contato. Alguns não aceitam sua nova condição ou mandam mensagens para pessoas que precisam mais de consolo do que a mãe em luto. 

06/07/2017 - 18:26

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