"Casei com o anjo que me socorreu de um acidente"

Nilton pediu a mão da Magna Souza Carrijo em casamento no mesmo dia em que salvou sua vida após o carro dela capotar na estrada

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MAGNA SOUZA CARRIJO | <i>Crédito: Arquivo Pessoal
MAGNA SOUZA CARRIJO | Crédito: Arquivo Pessoal
Era para ser só mais um passeio de final de semana. Eu iria percorrer 600 km de Rio Verde, minha cidade natal, em Goiás, até Rondonópolis, no Mato Grosso, para visitar um amigo naquela manhã de outubro de 2013. Mas, quando estava quase chegando, um desnível da estrada me fez perder o controle da direção.  A 130 km/h, bati primeiro em duas árvores que beiravam a rodovia. Então, uma terceira árvore fez meu carro capotar ribanceira abaixo. 

O Nilton não largou minha mão um segundo sequer 

Fiquei consciente o tempo todo. Lembro perfeitamente do automóvel rodando, rodando e rodando por 12 metros. Foi horrível! Eu só rezava e pedia para aquilo parar. Quando o carro finalmente parou no fundo do barranco, consegui soltar o cinto de segurança. E só. Tentei abrir a porta, mas uma forte tontura me imobilizou. Antes de desmaiar, ainda vi o rosto de um homem no para-brisa e ouvi o barulho de vidro  quebrando. Dei graças ao bom Deus e apaguei.

Não sei dizer quanto tempo fiquei inconsciente. Quando acordei, já estava fora do carro, deitada no chão, sem conseguir me mexer de tanta dor. O homem que vi antes do desmaio segurava minha mão. Outras pessoas começaram a se juntar ao meu redor, mas foi o Nilton que ficou lá, agachado ao meu lado, falando comigo o tempo todo. Foi ele quem pegou meu celular e ligou para todos meus familiares para avisar sobre o acidente.

Como a ambulância levou uns 40 minutos para chegar, na tentativa de me acalmar, o Nilton olhou nos meus olhos e disse que nunca tinha segurado a mão de uma mulher tão bonita. Mesmo atordoada, ainda consegui agradecer o elogio.

Quando o socorro veio, achei que o Nilton me deixaria com os médicos e seguiria o rumo dele. Afinal, já tinha ajudado bastante. Mas não. Ele seguiu a ambulância com o seu caminhão até o hospital e ficou lá, esperando enquanto eu fazia exames – nenhum parente meu havia chegado ainda. Quando saiu o resultado do último exame, já tarde da noite, eu disse para o Nilton que não sabia como agradecê-lo. “Casa comigo”, ele respondeu. Sorri, achando que era brincadeira. Só que não era. 

Deus escreve certo por linhas tortas mesmo!

O Nilton só foi embora no meio da madrugada, quando meu irmão chegou. Recebi alta do hospital no dia seguinte. Voltei para casa com o nervo do pescoço e o ligamento do joelho rompidos, os movimentos do braço esquerdo limitados e cheia de hematomas. 

O Nilton me ligava todos os dias para saber como eu estava.  Até aí, nossa conversa era meramente amigável. Na semana seguinte ao acidente, ele disse que passaria com o caminhão por Rio Verde. Combinamos dele me visitar. Queria que minhas duas filhas e minha mãe conhecessem o anjo que me salvou. 

Quando o Nilton chegou, eu ainda estava de cama. Ele sentou ao meu lado e ficamos conversando por horas. Aí, para minha surpresa, Nilton falou novamente o quanto me achava bonita e 
reforçou o pedido de casamento. Achei fofo e falei que poderíamos tentar. Alguns amigos e familiares disseram que aquilo era loucura, mas a verdade é que havia em mim um sentimento diferente por aquele homem tão prestativo e carinhoso. Eu era divorciada. Por que não arriscar?

Durante um ano, ainda em recuperação, me dividi entre Rio Verde e Ribeirão Preto, cidade do meu amor. Meio traumatizada em dirigir na estrada, fazíamos as viagens no caminhão do Nilton. Não nos desgrudamos mais e fui conhecendo melhor a pessoa maravilhosa que ele é.

Aí, em dezembro do ano passado, me mudei de vez para a casa dele com minha caçula, a Bruna, 14 anos. Eu não poderia estar mais feliz! Mesmo já morando juntos, ainda quero oficializar, no cartório e tudo, a nossa união. Sei que que passarei o resto dos meus dias com esse homem. 

É incrível, Deus escreve certo por linhas tortas mesmo. Quando eu ia imaginar passar por uma tragédia dessas, sair viva e ainda conhecer o meu grande amor? É, amiga, a vida tem dessas coisas que a gente não explica, apenas agradece. - MAGNA SOUZA CARRIJO, 49 anos, autônoma, Ribeirão Preto, SP


“Sei que o acidente aconteceu para nós nos conhecermos!” 

“Quando vi o carro que tinha me ultrapassado minutos antes desgovernar e sumir na estrada, já imaginei que o acidente era feio. Encostei meu caminhão e, ao avistar o veículo lá embaixo no barranco, todo amassado, não tive dúvidas: desci correndo para socorrer. A vítima estava acordada, mas não conseguia abrir a porta. Pedi pra ela proteger o rosto e, com um pedaço de árvore, quebrei o vidro do para-brisa. Quando consegui tirar a moça do carro, ela já estava desmaiada. Tinha um hematoma muito grande no pescoço e não respirava. Algo me guiou e tive o instinto de colocar a mão na nuca dela e inclinar sua cabeça para trás. Graças a Deus, ela puxou o ar e voltou a respirar, gemendo de dor. Peguei um terço que estava pendurado no retrovisor do carro e fiquei lá, agachado, segurando bem forte a mão dela. Foi uma coisa muito intensa, não consigo explicar. Mas, naquele exato momento, me apaixonei pela Magna. Sabia que não era à toa que eu estava ali. Era pra eu ter feito aquele percurso dois dias antes para entregar minha mercadoria. A viagem atrasou em dois momentos diferentes por problemas mecânicos no caminhão. Por ter a certeza de que estar ali para socorrê-la não era coincidência e sim nosso destino, na mesma noite pedi a Magna em casamento. Aquela moça linda mexeu com o meu coração! Ligava para ela todos os dias e, uma semana depois do acidente, apareci em sua casa. Foi quando aconteceu nosso primeiro e tímido beijo. Estamos juntos desde então, mas me considero casado com meu amor desde 31 de outubro de 2013, dia do acidente. Apesar da gravidade, o que aconteceu com a Magna não foi para machucá-la, foi só para que ela pudesse me conhecer! Acredito que existem coisas predestinadas. Tudo isso não foi coincidência, não foi loucura, não foi acaso. Isso foi a força do amor em ação!” - NILTON NATALINO NEVES, 48 anos, vendedor, o marido da Magna
 

06/05/2015 - 13:30

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